Crise de transtorno bipolar: quando internar?

A crise de transtorno bipolar pode ocorrer a qualquer momento. Por isso, é fundamental que o paciente seja diagnosticado e receba o tratamento certo. Uma das possibilidades é a internação, que pode surtir efeitos bastante positivos devido à adoção da abordagem correta.

Basicamente, a bipolaridade — como esse transtorno também é chamado — é um distúrbio psiquiátrico marcado pela alternância entre a euforia e a depressão. Bastante complexo, tem crises com duração, frequência e intensidade variáveis. Ou seja, pode ser difícil lidar com o indivíduo nesses momentos.

Por isso, o tratamento adequado tende a ser o diferencial, já que é capaz de controlar essas crises e torná-las mais leves. Neste post, o Dr. Guilherme Shirakawa, psiquiatra do Hospital Santa Mônica, explicará melhor sobre essas situações e quando a internação se torna necessária. Saiba mais!

O que é a crise de transtorno bipolar?

A crise de transtorno bipolar é um episódio em que o indivíduo se enquadra na fase de depressão ou de mania. No primeiro caso, ele tende a ficar mais isolado e a se retrair. No segundo, apresenta um estado psíquico instável no qual é difícil de manter a funcionalidade.

Aqui, é importante especificar que a depressão bipolar pode ter características da depressão unipolar, isto é, aquela verificada em outros indivíduos. No entanto, existe a tendência ao isolamento e à retração.

Vale a pena observar que o transtorno afetivo bipolar é caracterizado por alterações acentuadas de humor. Portanto, a pessoa passa por períodos de depressão e de mania. Qualquer uma das situações de crise pode aparecer com prevalência no paciente, sendo que sua frequência é variável.

De toda forma, o impacto nas emoções, nas sensações, no comportamento e nas ideias da pessoa é bastante significativo. A intensidade também pode ser de leve a greve, trazendo influência em maior ou menor grau. Aos poucos, isso gera uma perda relevante da autonomia, da personalidade e da saúde.

Como é o surto de um bipolar?

O surto pode acontecer de duas maneiras diferentes. Quando a pessoa entra em um episódio de depressão, tende a evitar as situações sociais, apesar dessa atitude nem sempre ser adotada. Esse período — que pode levar de semanas a anos — tende a ser caracterizado pela profunda tristeza.

Nesses casos, paciente vive realmente uma depressão. Sem vontade de fazer nenhuma atividade, chega a negligenciar seus cuidados higiênicos pessoais e com o meio ambiente. Além disso, costumam ser pessimistas com o futuro e perdem as esperanças.

Os acontecimentos ao redor do paciente bipolar em crise de depressão não trazem grandes impactos. Afinal, o isolamento também ocorre com relação aos sentimentos. Tudo isso leva a ideações suicidas, que podem se concretizar quando não tratadas.

Por sua vez, o episódio de mania é caracterizado pela instabilidade. A pessoa tem sua necessidade de sono reduzida e se expõe a comportamentos de risco. Além disso, há uma intensificação das compulsões, como as voltadas para a alimentação, compras, jogos e desejos sexuais.

A transição entre essas duas fases de crise no transtorno bipolar ocorre de maneira simples. Isso porque o paciente tem uma alta capacidade de transicionar entre esses dois estados de humor.

Aqui, é importante evidenciar que humor é algo estável e perene, não influenciado por situações pontuais. Inclusive, é duradouro, sendo que seus extremos são a depressão e a euforia. Dessa forma, o bipolar tem uma modificação na disposição para a vida.

O que pode desencadear a crise de transtorno bipolar?

As causas de uma crise no transtorno bipolar são derivadas de várias situações. Por exemplo:

  • episódios frequentes de depressão ou início precoce das crises;
  • estresse prolongado;
  • puerpério;
  • remédios inibidores de apetite, como anfetaminas e anorexígenos;
  • disfunções da tireoide, tanto hipo quanto hipertireoidismo.

Por sua vez, não existe uma causa específica que gere o distúrbio psicológico. A causa efetiva ainda não foi determinada. Ainda assim, há várias possibilidades, como fatores genéticos e alterações nos níveis de neurotransmissores e em certas áreas do cérebro.

O que fazer quando a pessoa está em crise?

Os períodos de crise desse distúrbio podem levar apenas dias ou alguns meses. Esse também é o prazo de duração dos momentos de estabilidade. No entanto, a situação pode mudar com o tratamento adequado. Mais do que isso, é importante adotar algumas regras de boa convivência. Elas são as seguintes:

  • evitar discussões para impedir o agravamento da crise do transtorno bipolar;
  • ter calma ao falar e usar um tom de voz adequado a fim de evitar as ações impulsivas e tomar atitudes exageradas;
  • ter positividade ao conversar com o paciente, principalmente em episódios depressivos;
  • evitar embates, porque isso tende a ser prejudicial devido à variação de emoções;
  • evitar facilitar as situações e nunca tornar o bipolar uma vítima da situação. O ideal é se tornar disponível e incentivar a realização de tarefas;
  • nunca julgar a condição de quem tem esse transtorno;
  • ter atenção a tudo o que é dito pelo bipolar. Isso porque eles tendem a fazer exatamente o que dizem. Portanto, se ouviu a pessoa falar em suicídio ou outra situação grave, procure ajuda especializada.

Quando internar o paciente?

A internação do paciente com transtorno bipolar depende da gravidade do seu caso. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5) e a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), esse distúrbio é classificado nos seguintes tipos:

  • tipo I: é uma situação grave, em que os sintomas são intensos e geram mudanças comportamentais e de conduta. Eles comprometem os relacionamentos afetivos, familiares e sociais, além da carreira. Há alto risco de suicídio e de complicações psiquiátricas. Por isso, pode haver internação hospitalar;
  • tipo II: há alternação entre os episódios de depressão e hipomania, que é um estado mais leve de excitação e euforia. Há pouco prejuízo ao comportamento e às atividades;
  • não especificado: oferece sintomas que não são suficientes para definir a classificação em um dos tipos anteriores;
  • misto: é quando o paciente passa pelas fases de depressão e euforia de forma simultânea ou no mesmo episódio;
  • ciclotímico: é o quadro mais leve. Gera mudanças de humor até mesmo no mesmo dia. Muitas vezes, entende-se que essa situação é derivada de um temperamento instável ou irresponsável.

Normalmente, a internação é indicada quando há possibilidade de suicídio ou de outras situações graves. Portanto, é um caso raro. De toda forma, é fundamental fazer o diagnóstico correto com a ajuda de um psiquiatra e contar com uma equipe de profissionais multidisciplinar.

Quais os benefícios da internação para o tratamento?

O tratamento do transtorno bipolar é feito com acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Em alguns casos, é necessário administrar medicações para evitar as crises que exigem tratamento.

Nesse contexto, a internação permite realizar uma abordagem mais abrangente, capaz de ajudar o paciente a controlar o distúrbio. Isso porque o tratamento pode ser feito com base em diferentes terapias e contando com a ajuda dos medicamentos que controlam os sintomas psicóticos, a ansiedade etc.

Dessa forma, a internação tem impacto positivo quando há risco de morte, seja para o paciente, seja para seus familiares. Além disso, ainda que essa seja uma medida emergencial, é recomendado manter a vigilância e o acompanhamento médico em hospital psiquiátrico sempre que essas condições aparecerem.

Por que contar com o Hospital Santa Mônica?

O Hospital Santa Mônica tem mais de 50 anos de experiência e é especializado no tratamento de transtornos mentais. O objetivo é garantir a reabilitação da saúde física e mental, além de promover a reintegração social do paciente.

Para isso, conta com uma área superior a 83 mil m², sendo que 50 mil m² são de Mata Atlântica preservada. Isso favorece o contato com a natureza, contribuindo para o bem-estar de quem está internado.

Também há equipes multidisciplinares disponíveis para a realização de um tratamento humanizado tanto para o paciente quanto para sua família. Dessa forma, é possível ter uma taxa de sucesso maior no processo de recuperação.

A crise de transtorno bipolar exige cuidados para evitar prejuízos ao paciente e à sua família. No entanto, a internação nem sempre é necessária. Por isso, é fundamental contar com uma boa equipe de profissionais na realização do diagnóstico a fim de saber a melhor atitude a tomar.

Agora, você pode se informar mais sobre a internação de pessoas que sofrem do transtorno afetivo bipolar. Entre em contato com o Hospital Santa Mônica, converse com nossos profissionais e veja como podemos ajudar!

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