Quando levar os filhos para a terapia?

Thaiana Brotto

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Quando levar os filhos para a terapia?

Quando levar os filhos para a terapia?

As crianças e os adolescentes também têm problemas. O estresse, ansiedade, preocupação, tristeza e angústia oriundos das situações da vida também os afligem.

Normalmente, crianças e adolescentes não contam aos pais quando estão passando por situações difíceis. Então, eles tendem a guardar para si por vergonha, medo do julgamento ou simplesmente por não compreenderem a gravidade da situação.

Os pais ou cuidadores também podem ter dificuldade para discernir se o problema dos mais jovens é algo sério ou trata-se de uma fase. Entender os problemas comuns da infância e da adolescência costuma ser difícil para os adultos, ainda que tenham passado por situações semelhantes quando jovens.

Assim, pais preocupados em cuidar da saúde mental dos filhos e ajudá-los a solucionar problemas podem buscar a terapia.

Com que idade pode fazer terapia?

Não tem idade para começar a fazer terapia! Tanto crianças e adolescentes quanto adultos e idosos podem se beneficiar com o atendimento psicoterapêutico.

Cada fase da vida possui as suas particularidades, portanto, os problemas, conflitos e dúvidas são distintos. O psicólogo é o profissional capacitado para compreender os dilemas de cada fase, ajudando o paciente a encontrar soluções viáveis e tratar as suas angústias.

Alguns profissionais trabalham com várias idades enquanto outros preferem se especializar em uma ou duas faixas etárias. Então, no momento de selecionar o psicólogo para o atendimento, é preciso saber com quais pacientes ele costuma trabalhar e as suas especializações.

Por exemplo, é muito comum que profissionais que atendam crianças tenham especializações em áreas relevantes para tratar essa faixa etária, como a psicopedagogia e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Se você acredita que os seus filhos se beneficiariam com a terapia, não hesite em marcar uma consulta com um profissional. Muitas questões emocionais e condições de saúde mental são mais fáceis de tratar quando ainda estão em fase inicial.

Quando levar os filhos para a terapia?

Assim que os pais identificarem a necessidade de levar os filhos para a terapia, eles já podem se consultar com um psicólogo.

É importante destacar que quanto mais nova a criança, maior a participação dos pais na terapia. A família precisa estar envolvida no atendimento psicoterapêutico para ajudar a criança a superar desafios e desenvolver potencialidades. Caso contrário, ela não consegue progredir na terapia.

Alguns casos comuns em que a terapia pode ser necessária para crianças e adolescentes são:

Problemas no ambiente escolar

Quando a criança apresenta dificuldades de aprendizagem ou de socialização na escola, é comum os pais serem comunicados sobre a sua situação. A psicóloga da escola pode ver a necessidade de atendimento e conversar com os pais sobre essa possibilidade.

O mesmo pode ocorrer com adolescentes.

Se o adolescente recebe muitas advertências da escola por mau comportamento, como brigas ou bullying, ou por não entregar trabalhos ou tarefas, é sinal de que algo está acontecendo com ele. Os adolescentes costumam guardar mais coisas para si do que as crianças, por isso, comportamentos atípicos costumam ser percebidos na escola ou em outros ambientes sociais.

Mudança drástica de comportamento

Mudanças de atitude e de pensamento são comuns ao longo da infância e da adolescência. Quando elas acontecem de modo drástico e sem motivo aparente, no entanto, podem indicar a dificuldade de lidar com alguma questão emocional, situação difícil ou da existência de uma condição de saúde mental.

Por exemplo, a vontade repentina de se isolar ou uma conduta demasiadamente agressiva podem ser motivadas pela depressão ou pelo bullying na escola. Para entender o que realmente está acontecendo com o filho, os pais precisam conversar com ele sem fazer julgamentos ou cobranças.

Dificuldades de aprendizagem

A dificuldade para guardar informações, fazer cálculos, escrever, prestar atenção nas aulas, concluir atividades e trabalhos escolares, entre outras, pode evidenciar a existência de um transtorno de aprendizagem. Essas dificuldades de aprendizagem são percebidas quando a criança inicia a vida escolar.

Alguns dos transtornos de aprendizagem mais comuns são:

  • Discalculia: dificuldade para identificar e memorizar números, impossibilitando a efetuação de cálculos;
  • Disgrafia: dificuldade motora para escrever;
  • Disortografia: dificuldade para compreender gramaticalmente a linguagem, resultando em erros de pontuação e concordância;
  • Déficit de atenção: dificuldade para prestar atenção em um único objeto por tempo prolongado, organizar o tempo e controlar impulsos; e
  • Dislexia: dificuldade para compreender as palavras escritas e organizá-las de maneira ordenada, comprometendo a capacidade de leitura e escrita.

As dificuldades de aprendizagem costumam ser interpretadas como preguiça ou má vontade, causando desconforto nas crianças e adolescentes, os quais podem começar a acreditar que são, de fato, preguiçosos ou burros. Para evitar esse pré-julgamento, cabe aos pais, novamente, conversarem sobre as dificuldades com os filhos.

Dificuldades de socialização

Algumas crianças e adolescentes são naturalmente tímidos ou introspectivos, então não são tão sociáveis quanto aqueles que são extrovertidos. E tudo bem.

Problemas começam a aparecer somente quando a socialização se demonstra ser muito desafiadora, comprometendo a capacidade dos mais jovens de conviver com outras pessoas. Dificuldades de socialização podem indicar muitas coisas, como timidez excessiva, ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), depressão, entre outros.

Comportamentos autodestrutivos

As crianças e os adolescentes não possuem o mesmo alcance emocional dos adultos para lidar com o estresse e situações inéditas. Assim, podem encontrar nos comportamentos autodestrutivos uma maneira de lidar com os sentimentos ruins e o desgaste emocional.

Por comportamentos autodestrutivos, entende-se a automutilação; adoção de hábitos prejudiciais, como dormir tarde e comer mal; evitamento de situações importantes, como entrega de um trabalho escolar; comportamento reativo e gerador de conflitos; destruição de objetos pessoais, como roupas, materiais escolares e objetos decorativos; ingestão de álcool; entre outros.

Ansiedade

A ansiedade tem se tornado cada vez mais comum entre as crianças e adolescentes. De acordo com a revista médica norte-americana JAMA Pediatrics, os casos de crianças e adolescentes diagnosticados com ansiedade e depressão aumentaram significativamente entre 2016 e 2020. Também foi percebido um aumento de 21% no número de crianças com problemas de comportamento.

Sendo assim, a ansiedade pode sim afetar os mais jovens. Ela costuma se manifestar das seguintes formas nessas faixas etárias: inquietação, insônia, mudança de hábitos alimentares, sudorese, rubor facial, irritabilidade, tremores, medo irracional, entre outros.

Perda de interesse por atividades

Um dos principais sintomas da depressão é a apatia, a qual leva à perda de interesse por atividades, relações sociais e hobbies. Se a criança ou adolescente demonstra súbita perda de vontade de fazer o que antes gostava, é ideal iniciar uma conversa sobre sentimentos. Nesses casos, o desânimo, a tristeza e a falta de esperança são sentimentos comuns.

Os mais jovens também podem se isolar no quarto por horas, perder o contato com amigos e colegas de classe e ter reações agressivas a eventos simples. Do mesmo modo, o rendimento escolar pode decair drasticamente porque não há vontade de estudar.

Como conversar com os filhos sobre a terapia?

Crianças mais velhas e, sobretudo, adolescentes podem se demonstrar relutantes à sugestão dos pais de fazer terapia.

No caso dos mais novos, o medo de interagir com o profissional e a preguiça de passar uma hora em contato com o psicólogo são as principais reclamações. Eles podem se recusar a comparecer às consultas e ter dificuldades para se abrir com o psicólogo por conta disso.

Já no caso dos adolescentes, a relutância costuma vir da estigmatização acerca da saúde mental e do atendimento psicoterapêutica. Nessa idade, a vergonha é um dos principais desafios do convívio social. Para evitar se tornar piada dos amigos e colegas, o adolescente pode se recusar a fazer terapia.

Ao se depararem com essas posturas defensivas, pais podem esclarecer as dúvidas dos filhos por meio do diálogo. O primeiro contato que as crianças e adolescentes têm com a saúde mental é através dos pais. Quando ele é negativo, o indivíduo cresce ignorando os sinais de que a sua saúde mental não anda bem, além de não acreditar que a terapia funcione.

Então, é ideal explicar aos filhos a importância de cuidar da saúde da mente para se ter bem-estar emocional e felicidade no dia a dia. Assim, quando precisarem de ajuda na vida adulta, saberão o que fazer e não hesitarão em procurar um psicólogo por vergonha ou medo do julgamento.

O diálogo honesto e direto é o suficiente para conscientizar os filhos sobre saúde mental e o funcionamento da terapia. Pais também podem conversar com o psicólogo da criança ou adolescente para saber como abordar o tema em casa, levando em consideração as particularidades do caso do filho.

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Thaiana Brotto

Autora: psicóloga Thaiana F. Brotto – CRP 106524/06 Formação: Thaiana Filla Brotto é psicóloga registrada no Conselho Regional de Psicologia sob o número 06/106524. Thaiana se formou em Psicologia pela PUC-PR em 2008, fez pós-graduação em Terapia Comportamental pela USP e é pós-graduanda em Neurociência pela PUC. Thaiana já escreveu mais de 400 artigos para o Blog Psicólogo e Terapia.

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